quinta-feira, 18 de agosto de 2011

É melhor ser insatisfeita do que satisfeita!

 Há alguns anos a insatisfação diante de alguns acontecimentos mundanos passou a me inquietar. È um querer, uma aspiração por algo que me possibilite o sentimento de plenitude.
De uns meses pra cá, essa sensação de insatifação tornou-se cada vez mais presente nos meus pensamentos, e eu acabava por me sentir culpada por ser tão insatisfeita e eu pensava: -Poxa eu tenho tantas coisas, recebo tanto amor, tanto carinho, tenho uma vida razoavelmente boa, enquanto há tantos que vivem em situações de extrema miséria, numa vida de descaso... Sou mal agradecida mesmo!
Mas certo dia eu pude me compreender... Pela manhã eu conversava com uma amiga pelo msn e ela animadíssima disse que gostaria de me apresentar uma mulher famosa da qual ela muito admirava. Então mandou-me um vídeo, era uma atriz francesa chamada Fanny Ardant. Fiquei curiosa  e assisti ao video enviado por ela. Nesse vídeo a atriz estava sendo entrevistada e ela disse uma frase muito interessante: - Eu sou uma mulher contraditória, nunca alcancei uma completa serenidade. È melhor ser insatisfeita do que satisfeita!
Nossa... confesso que fiquei imensamente feliz em ouvir aquela frase, a "carapuça" havia me servido. Aquela mulher disse de forma direta e firme que prefere a insatisfação e ela não pareceu se sentir culpada em afirmar isso! Como ela não explicou a frase, eu comecei a refletir sobre o assunto. Me pus a pensar na tal frase. Que afirmação tão pertinente!
O dia passou, o sol se pôs dando espaço a bela lua e eu como de rotina fui para a universidade. Não haveria aula, só uma festa de comemoração do fim do semestre. Comemos e bebemos muito e em seguida eu mais quatro pessoas começamos a conversar. Então eu fiz um comentários à respeito do vídeo de Fanny Ardant. Minha amiga a que havia me enviado o vídeo estava presente na conversa. Comecei a tecer  comentários sobre as falas marcantes que a atriz explicitava no vídeo, até chegar  no dilema da satisfação e da insatisfação.  Daí indaguei: - O que vocês acham dessa questão? É melhor ser satisfeito ou insatifeito?
Instigado pela pela pergunta que deixei no ar, o único garoto participante da conversa sabiamente falou: Olha... satisfação não é bom! Vejam eu comi muito e tô satisfeito e até enjoado e não quero mais!
Humm isso me fez encucar e depois chegar a um conceito. Levando em conta esse aspecto tão bem colocado pode-se dizer que quando estamos insatisfeitos, ficamos na busca, na ânsia por algo que preencha, e esse empenho nos faz de certa forma evoluir, e não nos acomodamos, não saciamos, e ficamos cada vez mais desejosos em saciar. Oscar Wilde reforça que "A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação."

Segundo Gustavo Pestana "A satisfação só dura enquanto a insatisfação encontra o seu desejo, ou seja, miléssimos de segundos, para que permaneça insatisfeito o sujeito, pois este sempre será sujeito desejante!"


O que te inquieta e te insatisfeita? Permita-se refletir e desejar! Eu e você caro amigo somos humanos e o que aparece é que a insatisfação nos é inerente. Queremos sempre saciar algo...


Que delícia se enveredar nos caminhos da busca... e depois saciar... e depois outra coisa desejar!

Me lanço sempre na floresta por vezes negra dos meus devaneios... isso me torna livre!












4 comentários:

  1. Hum...
    De fato, um comentário interessante, porém...
    Apenas complementando a ideia da colega...

    Em minha opinião, não devemos jamais desprezar o sentimento da satisfação; senão, o q nos motivaria a buscar sempre a excelência, a superação? Ora, a busca por essa satisfação é (e deve ser sempre) constante, e quando a encontramos, essa satisfação nos torna seres completos filosoficamente, mas nos traz um grande revés...

    E este revés é a acomodação e, aí sim, devemos sempre nos obrigar à insatisfação, para que jamais nos conformemos com conquistas passadas, buscando sempre a melhora e a excelência, como já citei. Em poucas palavras, devemos sempre buscar nossa satisfação como forma de realização pessoal, mas nessa busca devemos sempre estar atentos à acomodação, nos valendo de uma eterna insatisfação, a nos levar para patamares e horizontes ainda mais distantes.

    Mais uma vez, espero ter contribuído...
    Um abraço apertado...
    BarboZa

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  2. Querida Joana, como já havíamos discutido este assunto, torno a falar, a insatisfação é muitas vezes estressante, mas provoca uma sensação de buscar, de saber, de querer maravilhosa, pois é o almejado nunca alcançado. E quando alcançamos, nos acomodamos, não queremos mais, como vc disse ficamos completamente satisfeitos. Então, como seres humanos que somos, precisamos sempre de algo, de alguma motivação para seguirmos, para conquistarmos, e imagina se estivessemos satisfeitos com o todo, e com o tudo, seríamos seres monótonos, insuportáveis, e, sobretudo prepotentes e egoístas. PRECISAMOS DA INSATISFAÇÃO PARA CONTINUARMOS LUTANDO POR IDEAIS QUE ACREDITAMOS. :)

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  3. realmente somos seres muito complicados buscamos a felicidadde eterna, mas não pensamos o que essa felicidadde pode nos trazer de ruim, no sentido de que se estamos 100% satisfeitos perdemos aquilo que é o precursor de nossa vida "a vontade" a busca constante daquilo que em determinado momento parece ser inalcansavel e quando alcansamos por um breve momento sentimos essa reconpensa em forma de emoção. esse tempo é o tempo de buscar uma nova insatisfação e então dessa forma continuarmos nosso longo processo de mudança. parafraseando o que Deleuze fala: pode se dizer que somos seres com varias "faces sociais" essas faces podem ser definidas também como almas, ja que não somos seres unicos e indivisiveis, mas sim, varios pedaços de outros seres humanos. resumindo o homem no sentido ser humano não existe em forma unica mas o que existe em seu lugar são pedaços do ser humano que são retirados ou adicionados a medida que o tempo passa e que a vontade muda.

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